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Inteligência de ameaças

Ransomware bate recorde no terceiro trimestre, e ataques ao setor financeiro crescem 72%

Dois relatórios independentes mostram o maior trimestre de ransomware já registrado. A Comparitech contou 2.627 ataques alegados e 199 em finanças, alta de 72%. A GuidePoint registrou 2.760 vítimas e 112 grupos ativos. O Brasil não aparece nos dados.

Rede de pontos ligados por traços finos sobre fundo escuro esverdeado, com um único nó verde aceso, e o título Record ransomware quarter, finance up 72%.
Rede de pontos ligados por traços finos sobre fundo escuro esverdeado, com um único nó verde aceso, e o título Record ransomware quarter, finance up 72%.

O terceiro trimestre de 2026 foi o maior já registrado para ataques de ransomware, segundo dois relatórios publicados na primeira semana de outubro. A Comparitech contou 2.627 ataques alegados por grupos criminosos, cerca de 29 por dia. A GuidePoint Security registrou 2.760 vítimas, 21% a mais que no segundo trimestre e 75% a mais que no terceiro trimestre de 2025. Em ambos, o setor financeiro aparece em destaque.

O que os relatórios mostram

item Comparitech GuidePoint (GRIT)
Volume no trimestre 2.627 ataques alegados (2.030 no 2º trimestre; 1.636 no 3º de 2025) 2.760 vítimas (+21% sobre o 2º trimestre; +75% sobre o 3º de 2025)
Confirmados pelas vítimas 247 (cerca de 9%) não informa
Grupos mais ativos Qilin (357 alegações) e The Gentlemen (342) The Gentlemen (12,9% das vítimas) e Qilin (12,6%)
Grupos ativos não informa 112 (+23% no trimestre; +47% no ano)
Setor financeiro 199 ataques, contra 116 no trimestre anterior (+72%) bancos e serviços financeiros voltaram ao top 10
Alcance geográfico EUA com 41% dos ataques; Argentina com 45 (+150%) 115 países; EUA com 42% das vítimas

A Comparitech registra ainda mediana de resgate pedido de US$ 150 mil e média de US$ 602,4 mil, e a volta do Clop, que passou de 1 ataque no trimestre anterior para 48. A GuidePoint atribui parte do retorno do setor financeiro ao top 10 a uma campanha de engenharia social contra firmas de private equity, e destaca o avanço do ShinyHunters na extorsão de dados.

Um detalhe importante da GuidePoint: a taxa de pagamento de resgate caiu mais da metade em um ano, mas o valor médio pago por quem pagou subiu 34%. Menos gente paga, e quem paga, paga mais. A empresa também afirma que o uso crescente de agentes de IA no crime encurta o tempo entre o acesso inicial e o impacto.

Como ler esses números

Ataque "alegado" não é ataque confirmado. A Comparitech conta o que os grupos dizem ter feito em seus sites de vazamento, e só 247 dos 2.627 foram reconhecidos pelas próprias vítimas. A GuidePoint conta vítimas publicadas nesses sites. São métodos diferentes, e por isso os totais não batem; o que importa é que os dois apontam o mesmo sentido: recorde. A própria Comparitech lembra que as alegações costumam aparecer semanas ou meses depois dos ataques, então os números tendem a mudar.

Outro cuidado: nenhum dos relatórios divulga dados do Brasil. Não dá para afirmar, a partir deles, que os ataques cresceram no país. O que se sabe é o movimento global e o do setor financeiro.

Por que importa para instituições financeiras

Há dois recados. O primeiro é que o setor financeiro subiu 72% em um trimestre na contagem da Comparitech, de 116 para 199 ataques, e voltou ao top 10 da GuidePoint. O segundo é a forma do ataque: a engenharia social contra private equity mostra que o alvo nem sempre é o banco, e sim quem tem acesso a muitos dados de uma só vez. Para uma instituição, isso vale também para o fornecedor que guarda ou trata os seus dados.

Com menos vítimas pagando, a extorsão migra para o vazamento de dados, o que torna a continuidade do negócio e a gestão do incidente tão importantes quanto o backup.

O que fazer agora

  1. Teste a restauração dos backups dos sistemas críticos, com tempo medido, e confirme que pelo menos uma cópia fica fora do alcance de quem controla o domínio.
  2. Revise o que está exposto à internet (VPN, acesso remoto, servidores de aplicação) e o prazo de correção. É a porta de entrada que mais se repete nos relatórios deste ano.
  3. Inclua na análise de risco de terceiros os fornecedores e as gestoras que concentram dados da instituição, como as firmas de private equity citadas pela GuidePoint, e peça evidência de controles.
  4. Faça um exercício de mesa de ransomware com decisão sobre pagamento, comunicação a clientes e reguladores e vazamento de dados, com data e participantes registrados.
  5. Treine as áreas de atendimento e de TI para o pedido de acesso por telefone ou mensagem, que é o caminho da engenharia social descrita no relatório.

Referências